domingo, 1 de julho de 2012

Coluna Musical - Invasão Britânica (1 de 3)

  Nesta edição do Coluna Musical você verá de onde surgiu essa tal invasão e até qual ponto ela ainda nos influencia.
  No início dos anos 60, o Rock americano andava meio mal das pernas. Isso não por falta de talentosos músicos como Elvis Presley, Roy Orbison e Chuck Berry, mas sim por uma falta de criatividade de boa parte dessa safra americana de artistas, o que fez com que a própria mídia do território norte-americano passasse a desacreditar nos novos músicos surgidos. Mas algo começou a acontecer neste meio tempo: certas bandas começaram a fazer grande sucesso nos Pubs ingleses e a '' terra da rainha '' passou a chamar a atenção de olhares americanos que buscavam uma inovação agradável para suas rádios. Logo logo, a atenção das garotas e dos nada sociáveis críticos se dirigiria ao '' recém-nascido'' The Beatles, que em 1964 causaria enorme alvoroço com sua primeira ida aos E.U.A. A banda já havia explodido na Europa com o hit '' I Wanna Hold your Hand '' de 63, e com a participação no programa de TV Ed Sullivan Show em 64 já nas terras do Tio Sam, a imprensa noticiou o novo fenômeno que mudaria para sempre a história da música e da cultura Pop: A Beatlemania.


  A partir do ano de 1964 a Invasão Britânica tomou conta de toda a América e teve grande impacto nas paradas musicais. Outro notável fato, é o de que esse mesmo movimento seria responsável por uma mudança no tipo de compasso e melodia de todo tipo de Rock surgido a partir dali, não era mais aquele Rock and Roll sulista, puxado para o Country ou para o Blues, agora o Rock tinha cara própria e a partir daí se dividiria em incontáveis sub-gêneros. 


  Se engana quem pensa que este foi um movimento exclusivamente dos Beatles, a Invasão Britânica trouxe The Animals com House of The Rising Sun em 64,The Kinks com You Really Got Me também de 64, The Hollies com Bus Stop em 66, The Who com The Kids Are Alright e My Generation de 66, Rolling Stones com I Can't Get No (Satisfaction) em 67 e diversos outros artistas.
  Na próxima edição nos aprofundaremos mais nos grupos e músicos vindos do Reino Unido e qual o impacto disso para toda a música mundial. 


Álbuns Recomendados(até 1966):
With The Beatles - The Beatles (1963)
You Really Got Me - The Kinks (1964)
Stay With the Hollies - The Hollies (1964)
Help! - The Beatles (1965)
Fairytale - Donovan (1965)
For Your Love - Yardbirds (1965)
The Who Sings My Generation - The Who (1965)
Rubber Soul - The Beatles (1965)
Hold On ! - Herman's Hermits (1966)

Banda da Semana - Vanguart

  Na sessão Banda da Semana, falaremos desta vez de um dos grandes nomes do atual cenário do Rock Nacional brasileiro, o Vanguart ! 
  Formado em 2002 em Cuiabá pelo vocalista Hélio Flanders, o grupo se tornou mais reconhecido pelo sucesso da música '' Semáforo '' do álbum homônimo lançado em 2007. Segundo o próprio Flanders, o projeto Vanguart inicialmente era uma proposta solo do músico, que gravou em sua casa dois discos que nunca foram lançados, apenas distribuídos para amigos próximos. Algumas das músicas gravadas por Hélio aparecem no EP Before Vallegrand de 2005.


  O grande estouro na cena independente veio com o álbum '' Vanguart '' de 2007, trazendo uma leva de boas melodias e letras bem ao estilo Folk Rock. A partir daí, a banda se tornou referência à bandas do mesmo estilo e sonoridade principalmente na região Sudeste do país, onde o Vanguart está sempre presente em apresentações e festivais tendo sido inclusive extremamente elogiado pela performance na Virada Cultural de São Paulo em 26 de Abril de 2008. Em 2011, o grupo lançou o CD e DVD '' Multishow Registro Vanguart ''  e o disco de estúdio '' Boa Parte de Mim vai Embora '' e vem conquistando cada vez mais fãs pelo território brasileiro.

domingo, 15 de abril de 2012

Resenha Bob Dylan - Highway 61 Revisited


  Aproveitando a vinda do cantor americano Bob Dylan ao Brasil, essa semana nossa resenha será destinada a um dos discos mais célebres da história, o'' Highway 61 Revisited '', gravado em 1965 e dado como um dos melhores álbuns da história da música.


  O disco começa com '' Like a Rolling Stone '' que dispensa qualquer apresentação, já que além de conhecida mundialmente também foi eleita pela revista Rolling Stone (coincidentemente levando parte do nome da canção) como a melhor música da história. Depois de uma abertura em tanto vem a já conhecida Tombstone Blues, grande clássico da carreira de Dylan que divide muitas opiniões, já que com o tempo essa música pode vir a se tornar longa e cansativa. A seguir vem '' It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry '' boa faixa, com um ritmo e letra bem ao estilo Country. '' From a Buick 6 '' anima o disco com a base típica do Rock n' Roll anos 50, com direito a um solo de gaita, que substitui muito bem qualquer solo de guitarra e ainda dá um toque que só Bob Dylan dá à suas músicas ! A quinta faixa '' Ballad of a Thin Man '' é uma das melhores do álbum com uma pegada Blues que torna a música quase melancólica porém ótima. Outra clássica de Dylan vem agora, ''Queen Jane Approximately '', letra e melodia encaixados perfeitamente numa harmonia boa de se ouvir, um lado menos Folk e mais Rock anos 60 do cantor. A faixa-título não decepciona e traz novamente o lado anos 50, '' Highway 61 Revisited '' pode vir a lembrar alguns mestres como Chuck Berry e Little Richard. As duas últimas encerram o álbum do melhor modo possível com arranjos e letras memoráveis nas canções '' Just Like Tom Thumb's Blues '' e a clássica '' Desolation Row ''. 
  Pode-se perceber uma diferença deste disco com relação aos anteriores de Bob Dylan, já que '' Highway 61 Revisited '' foi o primeiro do músico gravado totalmente com uma banda de apoio, que por sinal fez a diferença com destaques a Alan Kooper e Paul Griffins que ficaram responsáveis pelos teclados, um ótimo trabalho. Enfim, apesar de ter sido crucificado pelos puritanos do Folk na época de seu lançamento, ' Highway 61 Revisited '' é uma obra-prima do mestre Dylan, com sua voz típica, suas letras belíssimas, seu violão sempre mantendo a simplicidade e sua gaita magnífica que traz a marca do cantor em suas músicas !


Nota 9,5 de 10

História Musical - Indie Rock (4 de 4)



  Chegamos a última parte do nosso História Musical - Indie Rock ! Na etapa final, falaremos sobre o maior expoente do Rock Alternativo britânico dos últimos anos, os Arctic Monkeys. A banda foi formada na cidade de Sheffield, Inglaterra em 2002 e rapidamente conseguiu um alto índice de sucesso de críticas e venda. Seu primeiro álbum  ''Whatever People Say I Am, That's What I'm Not''  se tornou o disco de estreia mais vendido da história do Reino Unido, tendo uma recepção calorosa da crítica.


  Com muita expectativa dos fãs, em 2007 foi lançado o segundo do grupo, '' Favourite Worst Nightmare '', que renderam a banda 2 prêmios na Brit Awards 2008, de melhor banda e melhor álbum. Com este disco, os Arctic Monkeys desenvolveram fama por todo território europeu e americano, fazendo com que o Indie rock, que a crítica tanto esperava e cobrava dos grupos britânicos, ressuscitasse e estourasse por todo mundo. Em sequência o terceiro álbum ''Humbug'' não agradou tanto como os dois primeiros mas lançou um novo hit para a banda, a música '' Crying Lightning ''. Seu último disco '' Suck it See '' mostrou um lado diferente, porém original do grupo. 
  O Arctic Monkeys acabou sendo responsável pela volta do Indie Rock nas paradas musicais de todo o mundo nos anos 2000. Algumas bandas como The Libertines e The Strokes que inauguraram a cena alternativa musical do novo milênio estavam praticamente paradas no tempo, nenhum grande sucesso ou hit. Graças ao disco de 2006, ''Whatever People Say I Am, That's What I'm Not''' , o Rock britânico pôde se reerguer, inspirando várias bandas de garagem a saírem de suas casas para o sucesso. A partir daí temos a nossa nova geração do Indie Rock, com o bom e velho sotaque inglês de sempre ! 





domingo, 25 de março de 2012

Coluna Musical - Power Trios (2 de 2)

 Na segunda e última parte do Coluna musical - Power Trios, falaremos a respeito dos grupos de três integrantes que estiveram presentes no cenários musical dos anos 80 e anos 90.


 No fim da década de 70, os grupos de Rock Progressivo que haviam explodido até aproximadamente 1975 estavam em estado de declínio popular, já que o Punk Rock de bandas como Ramones, The Clash e Sex Pistols estavam dominando as paradas musicais. A música Disco também havia virado febre entre os jovens da época, fazendo com que o Rock tivesse radicais mudanças na década de 80, se dividindo em diversos subgêneros e mudando o padrão de formação ou de melodia em suas músicas. Com tantas mudanças por quais a música estava passando, alguns trios se destacaram nesse meio tempo, como é o caso do The Police. O grupo formado por Sting (baixo e vocal), Andy Summers (guitarra), Stewart Copeland (bateria) seria a grande inovação com relação aos trios anteriores, popularizando um estilo não muito conhecido entre o público europeu denominado '' Ska '', uma mistura de Reggae e Música Americana (Rhythm and Blues, Rock, etc), o que não pegou, já que apenas o The Police atingiu um alto índice de vendas dentro do estilo. 


O grupo se dissolveria em 1985 devido a algumas brigas entre os membros da banda. Na outra metade dos anos 80, o Rush continuaria sua onda de sucessos, sendo o único Power Trio a vigorar bem até os anos 90. No Brasil com a onda do Rock Nacional, Os Paralamas do Sucesso e a Legião Urbana seriam os nossos melhores representantes em relação aos trios de Rock.


Com os anos 90 viria o grande fenômeno do Grunge e com ele o maior fenômeno musical da década, o Nirvana. Com um som rasgado e cru, o Nirvana conquistaria fãs pelo mundo inteiro, mas não duraria muito, já que em 1994 seu líder e vocalista Kurt Cobain, cometeria suicídio. A partir daí, os trios nunca mais conseguiram atingir um grande sucesso até porque a mídia dos anos 2000 daria prioridade ao Pop, tornando o Rock um estilo extremamente diversificado com relação aos seus subgêneros e também ao seu processo de formação !




Álbuns Recomendados:
Reggatta de Blanc - The Police (1979)
Daylight Again (1982) - Crosby, Stills & Nash
Synchronicity - The Police (1983)
Hunting High and Low - A-ha (1985)
Selvagem ? - Os Paralamas do Sucesso (1986)
Dois - Legião Urbana (1986)
As Quatro Estações - Legião Urbana (1989)
Nevermind - Nirvana (1991)
Wolfmother - Wolfmother (2005)

sábado, 3 de março de 2012

Coluna Musical - Power Trios (1 de 2)

O Música de Garagem está com mais uma novidade, a sessão Coluna Musical, que trará histórias sobre as origens de determinado assunto, sempre envolvendo música. Para iniciarmos bem a nova sessão falaremos de um assunto bem interessante, os Power Trios do rock.


  Para começar, no que se baseia um Power Trio ? Bom, este é o nome dado aos conjuntos que decidiram abandonar a formação clássica de quatro ou cinco membros de forma ousada, formando uma banda com apenas três integrantes. Não se pode ter certeza de onde surgiu ao certo, mas pelo que se sabe, o Cream (formado em 1966) foi o precursor deste revolucionário '' movimento '' artístico. O grupo foi formado por Jack Bruce (vocal e baixo), Eric Clapton (vocal e guitarra) e Ginger Baker (bateria), quando os mesmos se encontravam aos finais de semana para usar drogas e escutar Jazz. Tais encontros influenciaram Clapton a deixar o grupo Yardbirds que segundo ele estava tomando rumos contrários ao de sua pretensão com um grupo de rock.


  O Cream durou até 1970, e causou alvoroço entre os jovens britânicos com sua formação fora dos padrões, a habilidade excepcional dos músicos, e o som psicodélico. Na mesma época do Cream outro Power Trio explodiu na Inglaterra, era o Jimi Hendrix Experience trazendo três incríveis músicos para uma mesma banda (Jimi Hendrix, Noel Redding e Mitch Mitchell), popularizando o novo estilo de formação no meio Blues-Rock no Reino Unido e também nos E.U.A.
 
  Com o fim do Cream e a morte de Jimi Hendrix, o ''movimento'' cresceu no meio do rock, trazendo memoráveis trios no início dos anos 70, tais como o Rush e Emerson, Lake & Palmer que seguiram por caminhos ainda mais ousados e decidiram fazer Rock Progressivo com três integrantes, o que não era normal, já que a maioria dos grupos desse estilo se baseavam em enormes conjuntos e bandas de apoio.
  O novo modelo de banda havia se tornado sinônimo de '' habilidade '' nos instrumentos, já que além de três integrantes terem de desempenhar o papel de quatro, os trios da década de 60 e 70 revelaram talentosos músicos como Alex Lifeson, Neil Peart, Ginger Baker e Mitch Mitchell que não se contentavam em serem a '' base '' para seus vocalistas e criaram memoráveis solos de bateria e guitarra.




Na próxima edição veremos a continuação dos trios ! ;D


Álbuns Recomendados:
Are You Experienced (1967) - Jimi Hendrix Experience
Disraeli Gears (1967) - Cream
Band of Gypsys (1970) - Jimi Hendrix com Billy Cox e Buddy Miles
Brain Salad Surgery (1973) - Emerson, Lake & Palmer
Fly By Night (1975) - Rush
Spartacus (1975) - Triumvirat
A Farewell to Kings (1977) - Rush
Moving Pictures (1981) - Rush
The Division Bell (1994) - Pink Floyd como trio (David Gilmour, Nick Mason e Rick Wright)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

História Musical - Indie Rock (3 de 4)


  Chegando agora a terceira parte do ''História Musical Especial Indie Rock'', falaremos de um dos maiores fenômenos da música alternativa britânica, o Oasis. Formado em 1991, só lançou seu primeiro álbum em 1994, sendo um enorme estouro no cenário britânico, que estava abatido devido a onda do Grunge nos Estados Unidos com o Nirvana e o Pearl Jam.



  O primeiro álbum, '' Definitely Maybe '' deu o início ao novo movimento musical denominado Britpop que levaria a música britânica ao topo em todos os quesitos como só visto nos anos 60, na invasão britânica no rock n' roll (de origem americana) com os Beatles, The Who, The Rolling Stones entre outros. O fato é que o movimento só ganharia fama em patamar mundial com o segundo álbum da banda '' (What's the Story) Morning Glory ? '' que tornou o Oasis um dos maiores fenômenos do rock dos anos 90 explodindo com os hits '' Don't look Back the Anger '' e '' Wonderwall '' e fazendo o segundo álbum da banda o terceiro mais vendido de sempre no Reino Unido atingido marcas respeitáveis de venda. A explosão do Oasis em 1995 resultou em shows ao redor do mundo e até mesmo um MTV Unplugged que mostrou publicamente o descontentamento de Liam Gallagher (vocalista) com seu irmão Noel Gallagher (guitarrista e vocalista) que teve de se apresentar cantando todas as músicas, já que Liam alegou na época ter tido problemas na garganta, fato logo depois desmentido, quando a banda descobriu que o vocalista assistiu ao concerto na TV de um pub com charutos e cervejas. O álbum de estúdio seguinte '' Be Here Now '' de 1997 aumentou a popularidade do Oasis, porém mostrou um lado mais Pop da banda, o que decepcionou muitos fãs da fase inicial da banda, o sucesso acabou resultando na primeira coletânea da banda '' The Masterplan '' de 1998. Um som mais plástico e abstrato veio com '' Standing on the Shoulder of Giants '' que surpreendeu boa parte da crítica por ser um álbum diferenciado dos demais lançados até então pelo Oasis. 
   Após um show desastroso no Rock in Rio de 2001, o Oasis se preparava para lançar o álbum ''Heathen Chemistry'', as gravações desse álbum foram marcadas de muitas brigas entre os encrenqueiros irmãos Gallagher. Apesar da boa recepção dos fãs para com o álbum, o Oasis começou a perder popularidade para as outras bandas que começavam a crescer, tais como The Strokes e The Libertines.
  Em 2005 veio o sexto disco da banda '' Don't Believe the Truth '' que lançou o hit '' Lyla '' da banda, porém, não conseguiu números de vendas comparáveis aos 2 primeiros álbuns da banda. 
  Já numa grande crise entre os irmãos Gallagher o álbum ''Dig Out Your Soul'' que trouxe boas músicas veio para encerrar as atividades da banda que deixou um impressionante legado em números e é claro em qualidade, o Oasis foi responsável pela explosão da música alternativa nos 90 mas também pelo seu declínio, assunto que veremos nas próximas edições aqui no Música de Garagem !

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Banda da Semana - Fleet Foxes

A banda da semana é o conjunto americano '' Fleet Foxes '' que recentemente lançou seu segundo álbum ''Helplessness Blues''. A banda formada por Skyler Skjelset (guitarrra), Bryn Lumsden (baixo), Nicholas Peterson (bateria), e Casey Wescott (teclados) ganhou notoriedade no cenário underground de Seattle (grande centro das bandas de garagem), no ano de 2007, pouco depois que começaram e gravaram seu EP homônimo ''Fleet Foxes''.



No ano de 2008 lançam seu primeiro disco levando o nome da banda que estourou no cenário americano e inglês, transformando a banda numa das principais do atual cenário da música Folk, sendo inclusive eleita por várias revistas britânicas como a revelação do ano. No ano de 2011 lançam seu segundo disco ''Helplessness Blues'', que vem sendo sucesso de vendas e criticas. Pra quem não ouviu o grupo, vale a pena conferir esses caras que esbanjam talento, tendo seu trabalho comparado á Bob Dylan, Neil Young e Iron & Wine, sendo uma das melhores bandas de Folk Music dos últimos 10 anos sem dúvida nenhuma. Destaque para o álbum homônimo de estreia '' Fleet Foxes '' contendo a já famosa  "Blue Ridge Mountains".

Resenha U2 - The Joshua Tree


Antes de tudo, queria deixar bem claro que tenho uma grande admiração pelo trabalho desses irlandeses: numa época em que o Classic Rock era definido por guitarristas rápidos, The Edge mostrava que isso não era necessário para se fazer boa música. Baterias complexas? Larry simplesmente acompanhava a música de forma impar e original. Assim como Adam Clayton, que colocava toda a emoção da canção em simples linhas de baixo.  E Bono, mesmo com suas limitações, não deixou isso ser um obstáculo: esbanjava carisma, conquistava toda uma platéia e demonstrava toda a sua genialidade como letrista do U2.
Pois bem, no ano de 1987, a banda chega ao seu auge, lançando o álbum The Joshua Tree. Considerado por muitos a ‘obra-prima’ da banda, o trabalho faz jus a fama. Um som maduro, totalmente original e consistente: você pode ouvi-lo por inteiro sem cansar.





A clássica Where The Streets Have No Name abre o disco e dispensa comentários. Se você assistir a algum show da banda, perceberá que ela marca o ponto alto da apresentação, deixando a platéia eufórica. Não é para menos: metade do tempo gasto para a produção do Joshua Tree fora em Streets.
Em sequência, temos um dos maiores hits da banda, I Still Haven’t Found What I’m Looking For. Simples? Sim, porém irresistível.  O riff caracterísrico de Edge e a bateria genial de Larry marcam a levada da canção, que foi #1 na Billboard Hot 100. A letra apresenta uma profunda reflexão espiritual de Bono, também muito interessante de se analisar.
Seguimos com a apaixonada With or Without You. Em uma base simples, de quatro notas, tudo parece se encaixar perfeitamente: a guitarra soa de maneira infinita (que Bono julgava ser um tanto ‘estranha’ para a época), a linha de baixo juntamente a percussão criam uma atmosfera um tanto romântica: ‘a pulsação de um coração’. Mais um hit da banda que atingiu o #1 na Hot 100.


Bullet The Blue Sky mostra a capacidade da banda de produzir um bom e velho Rock n’ Roll, ainda que faltem guitarras mais pesadas. Mas foi o suficiente para chamar a atenção até dos brasileiros do Sepultura, que gravaram um cover. Já Running to Stand Still faz um contraste espetacular: um tanto quanto reflexiva, é basicamente constituída por um simples instrumental de piano e uma excelente performance de Bono.
As duas faixas seguintes não são tão conhecidas, embora também mereçam destaque: Red Hill Mining Town mostra o U2 fazendo o que sabe de melhor: boa música. Riff marcante com um refrão épico, exigindo o máximo da voz do Sr. Paul Hewson.  In God’s Country chama a atenção pela guitarra rápida de Edge, canção muito presente nas apresentações da época.
Após a folk e um pouco sem sal Trip Through Your Wires, mais um clássico: One Tree Hill. A canção foi um hit na Nova Zelândia e chegou rapidamente ao topo dos charts de lá. Exit apresenta inicialmente um clima obscuro, que vai evoluindo até culminar em uma guitarra nervosa, mas apresenta alguns efeitos desnecessários (a versão ao vivo é muito superior). O álbum se encerra com Mothers of the Disappeared, que apesar de possuir todo um contexto social envolvido, não está à altura do álbum.
Sem dúvidas, um grande trabalho da banda, que se mostra quase impecável. Mas se você for adepto apenas ao clássico Rock n’ Roll, é muito provável que ache tudo isso sem graça. 


Texto de Guilherme Lima


1 -Where the Streets Have No Name 
2 -I Still Haven't Found What I'm Looking For 
3 -With or Without You  
4 -Bullet the Blue Sky 
5 -Running to Stand Still  
6 -Red Hill Mining Town  
7 -In God's Country  
8 -Trip Through Your Wires  
9 -One Tree Hill  
10 -Exit  
11 -Mothers of the Disappeared  



Nota 8,5 de 10



domingo, 5 de fevereiro de 2012

História Musical - Indie Rock (2 de 4)



      Após a grande onda do final dos anos 80 com o The Smiths, algumas bandas se destacaram na cena Underground americana e britânica. Algumas atingiram uma rápida fama e decaíram, e outras mantiveram um toque de originalidade do Indie Rock e superaram os chamados '' Gigantes do Rock '' no quesito de vendas, formalizando então o novo estilo denominado '' Indie Rock '' ou '' Rock Alternativo ''. A banda responsável pelo amadurecimento do estilo e pelo movimento denominado Britpop que viria mais tarde, se formou em Boston no ano de 1986 e recebeu o nome de Pixies. De início foi dada como uma banda bem fora dos padrões devido ás letras incomuns e o estilo musical que se misturou durante os anos, mas acabou se tornando uma enorme influência para as bandas que surgiriam nos anos 90. 



      O Pixies era formado por Black Francis (vocal e guitarra), Joey Santiago (guitarra), Kim Deal (baixo e vocal) e David Lovering (bateria), atingiu a grande fama com seu terceiro álbum Doolittle, que se tornaria um grande clássico do cenário alternativo. Entretanto, nem tudo eram flores, o baixista Kim Deal e o vocalista apelidado de '' Frank '' viviam em pé de guerra devido ás diferenças musicais de ambos e essa diferença acabou resultando na dissolução do grupo em 1992. 

      Mesmo após o fim do Pixies, a banda se tornou a pioneira do estilo e além de ter sido influência nos novos rumos que o Grunge tomaria com Nirvana e Pearl Jam, alavancou o início do movimento Britpop, com Oasis, Blur e Stone Roses que transformaria o Rock Britânico para sempre.




Veja o clipe do clássico '' Here Comes Your Man '' de Pixies


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Resenha Neil Young - Harvest




Hoje a nossa resenha vai se direcionar para um grande clássico do Folk Rock, o álbum ''Harvest'' de Neil Young lançado em 1972. Na época Young já tinha uma boa reputação, ex-membro do grupo Buffalo Springfield e com três álbuns solos no curriculum, mas o melhor viria com '' Harvest '' dado por muitos fãs como o melhor de seus álbuns. Tudo começa com a música '' Out On The Weekend '' que abre o álbum com uma boa melodia e ao melhor modo Neil Young, porém faltou algo na música que a fizesse se tornar um hit comparável aos outros grandes clássicos que se seguirão nesta resenha. O álbum segue com '' Harvest '' a segunda música do álbum, ao melhor modo Folk tem um ar de simplicidade e ao mesmo tempo beleza incríveis, uma excelente música. Segue-se com '' A Man Needs a Maid'' a maior surpresa do álbum. Seguindo os moldes de '' After Gold Rush '' (do álbum de mesmo nome lançado em 1969) a música é levada no piano com a típica voz suave de Young sendo uma das mais cativantes do álbum. A quarta faixa do álbum é simplesmente um de seus maiores hits, '' Heart of Gold '' tem uma levada Folk com o uso de gaitas, um violão e alguns instrumentos de fundo como bateria,guitarra slide e um ótimo backing vocal, que tornam a música mais diferenciada das melodias comuns do Folk, que costumam levar apenas um violão e uma gaita, além de constar com uma bela letra á la Young. A música a seguir se chama '' Are You Ready for The Country '' e provavelmente só servirá para os fãs de Neil Young devido ao seu ritmo não muito contagiante e nem um pouco dentro dos padrões  um certo exagero na originalidade, podendo tornar a música chata para os ouvidos mais apurados. Para aqueles que esperavam uma música de altíssimo nível que compensasse a música '' Are You Ready of The Country '' que desanima o ouvinte, vem '' Old Man '', com uma bela letra e demonstrando da melhor forma possível, o grande potencial vocal de sempre de Young que nos refrões da música usa e abusa de sua voz suave e afinadíssima. '' Old Man '' é dada por muitos fãs de Young como a melhor música de sua carreira solo, se tornando na época um grande clássico do Folk Rock. A sétima música '' There's a World '' é boa, tem arranjos bem diferentes, porém é ofuscada pelas outras músicas de '' Harvest ''. As próximas músicas '' Alabama '' e '' The Neddle And the Damage Done'' são clássicas do disco e da carreira de Young e mostram o potencial do álbum de um modo diferente, usando do recurso da diferenciação dos estilos musicais dentro de um mesmo disco, que acabou dando muito certo para '' Harvest ''. Encerrando este grande álbum a música '' Words (Between the Lines Of Age) '' que encerra o disco de uma grande forma tendo um backing vocal incrível e uma excelente parte instrumental, não característicos da música Folk, em que, na maioria das vezes, se dispensa o uso de muitos instrumentos por um único violão. Enfim, Neil Young mostrou com 10 músicas que é possível sim fazer um álbum concentrando não em apenas uma música, mas em todo o conteúdo do disco. '' Harvest '' mais parece uma coletânea do que um álbum de estúdio e é sem dúvidas um dos maiores clássicos do Rock.


Neil Young -Harvest


01 - Out On The Weekend
02 - Harvest
03 - A Man Needs a Maid
04 - Heart of Gold
05 - Are You Ready for The Country
06 - Old Man
07 - There's a World
08 - Alabama
09 - The Neddle And the Damage Done
10 - Words (Between The Lines Of Age)




Nota geral = 9,0 em 10




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

História Musical - Indie Rock (1 de 4)



O gênero denominado Indie Rock teve sua origem e popularização expressiva no Reino Unido, onde bandas que não possuíam contratos com grandes gravadoras divulgavam seus trabalhos de maneira independente (daí o termo indie), como em pequenas rádios e shows. Um verdadeiro ‘faça você mesmo’.
Apresentando um som original e revolucionário, muitos grupos desse estilo ‘saíram da garagem’ e se tornaram muito populares, desde os Anos 80 com os The Smiths, até mais recentemente com diversas bandas, dentre as quais o Arctic Monkeys e o Franz Ferdinand.
Exatamente pelo fato de ser um movimento independente da mídia, que não segue as tendências, você poderá encontrar trabalhos um tanto interessantes. Por isso o Música de Garagem inicia uma série de posts sobre o assunto, começando por um dos pioneiros: The Smiths.

Os The Smiths foram uma das primeiras bandas a se destacarem na cena indie, formada por Morrisey (vocal), Johnny Marr (guitarra), Andy Rourke (baixo) e Mike Joyce (bateria).
Após o lançamento do single ‘This Charming Man’ (1983) a banda fez uma irreverente e histórica apresentação no Top Of The Pops, o que chamou muito a atenção de todos na época.
Mas o auge veio de fato com o terceiro álbum: ‘The Queen Is Dead’. O trabalho foi aclamado pela crítica, recebendo excelentes avaliações, singles de sucesso e consagrando a genialidade musical de Morrissey e Cia.
            O grupo se separou no ano de 1987, e até então nenhuma reunião fora concretizada. 

            Confia a música '' Ask '' de The Smiths:



Texto de Guilherme Lima (colaborador do Blog)




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Banda da Semana - The Black Keys

Toda semana recomendaremos bandas para todos os estilos musicais para que você possa conhecer um pouco sobre novos grupos. OBS: Nesta sessão, daremos prioridade à bandas novas, bandas underground (de pouco reconhecimento) e bandas cult (bandas antigas esquecidas). 

A banda da semana é a dupla americana denominada The Black Keys. Com um som totalmente diferente dos padrões, a banda recentemente alcançou seu maior momento, o álbum ''El Camino'' que foi dado por diversos veículos de imprensa como um dos melhores lançamentos do ano de 2011. A dupla foi formada em 2001 e de lá pra cá vem ganhando grande nome no cenário musical alternativo. É difícil rotular a dupla mas poderíamos denominar seu estilo como Indie Rock, Blues Rock e Rock Alternativo. Alguns podem tentar fazer uma associação com um dos maiores fenômenos do rock dos anos 2000, os White Stripes devido a formação tão fora dos padrões do rock, mas podem se surpreender com o estilo totalmente ousado e diferente da banda. Sem dúvida nenhuma, o Black Keys é uma das maiores bandas da nova geração, esbanjando originalidade e talento, se não ouviu vale a pena conferir (:

Destaque para os álbuns Brothers (2010) e El Camino (2011)


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Resenha Beady Eye - Different Gear, Still Speeding



Que venha a primeira resenha do ano (: 
A resenha da semana vai para o primeiro álbum do grupo Beady Eye lançado em 2011. Quando Liam Gallagher (ex-Oasis) afirmou que lançaria um álbum com a nova banda formada por praticamente todos os integrantes do Oasis (com excessão claro ao seu irmão Noel Gallagher), os fãs não botaram fé na banda que surgiria, devido ao desgaste vocal de Liam ao longo dos anos de bebedeiras e drogas. Mas a questão é que os fãs mais negativos se enganaram, um bom álbum veio, e apesar de ter muitos elementos do Oasis ainda sim tem um bom ar de diferente (não podendo se dizer original, já que várias músicas tem grande semelhança com os discos da carreira solo de John Lennon). O álbum começa com a ácida ''Four Letter Word'' que nos dá uma noção do que o álbum nos trás. Mas se engana aquele que acha que o álbum está repleto de músicas assim, '' Millionaire '' é uma prova disso e nos dá um banho de água fria com uma música diferente porém enjoativa. A melhor vem agora com '' The Roller '', que pode ser considerada uma perfeita mistura do Oasis da década de 90 com a carreira solo de John Lennon na década de 70. Ritmo contagiante, bela melodia e um vocal típico de Liam Gallagher tornam a música '' The Roller '' o hit do álbum. As duas próximas músicas não são empolgantes e podem se tornar chatas quando repetidas, '' Beatles and Stones'' e '' Wind Up a Dream'' provavelmente só servirão para os bons fãs do Oasis. Indo para a próxima, '' Bring the Light '' é uma música simples porém muito boa sendo a mais original do disco, com o piano no fundo e o backing vocal feminino. '' For Anyone '' pode parecer chata à primeira vista devido ao seu vocal grudento típico de Liam, porém, para um grande fã de Oasis acostumado com músicas de vocal meloso como '' Live Forever '' a música aparece como grande destaque do álbum, sendo uma das melhores. As três próximas '' Kill For a Dream '', '' Standing On The Edge Of The Noise '' e '' Wigwam '' são músicas bem regulares, não tendo nada de muito especial mas também sendo músicas de melodias boas de se ouvir para os fãs do Britpop da década de 90. A décima primeira música do álbum '' Three Ring Circus '' é uma música sem grandes elementos, sendo algo chato para os que ouvirem o CD. Mas não desanime de ouvir as últimas duas músicas, '' The Beat Goes On '' e '' The Morning Son '' são excelentes e encerram o disco da melhor maneira possível. Em suma, o Beady Eye fez um bom trabalho mas, lógicamente, tem alguns aspectos ainda a melhorar para poder atingir o nível que o Oasis teve durante seu auge em 95 com o grande sucesso de vendas do (What's the Story) Morning Glory, álbum que contém o maior sucesso comercial da banda '' Wonderwall ''.


Beady Eye -Different Gear, Still Speeding
01 - Four Letter Word
02 - Millionaire
03 - The Roller
04 - Beatles and Stones
05 - Wind Up a Dream
06 - Bring the Light
07 - For Anyone
08 - Kill for a Dream
09 - Standing On The Edge Of The Noise
10 - Wigwam
11 - Three Ring Circus
12 - The Beat Goes On
13 - The Morning Son


Nota geral = 7,5 em 10

O início


Olá para todos \o/.  Estou aqui criando um novo Blog totalmente dedicado á boa música independente de seu estilo. Postarei neste blog os assuntos da semana envolvendo músicos, resenhas de CDs, datas de shows no Brasil, e é claro, críticas e elogios aos artistas mais falados do ano. Outro propósito deste site é a divulgação de bandas underground, as famosas ''bandas de garagem''  portanto serão sempre bem-vindos os que quiserem ter sua música divulgada. Que comecemos as nossas atividades musicais, espero que o blog possa ajudar aos amantes do som à conhecerem novas músicas ou bandas do cenário atual e também da música mais velha porém eternamente jovem ;D